quarta-feira, 8 de abril de 2015

o coração, eu acho

Então, eu dizia para ele: - o coração, eu acho, nunca quieta.
O tédio é doloroso demais. Eu te amo mesmo, sabe. Você sabe, eu sei. Só achava que era piegas dizer, e fui des-dizendo por todos esses meses, e sufocando, e engolindo seco. Mas aí, por acaso, achei até Leminski falando do amor, e sendo piegas. E a pieguice dele me convenceu bastante de que nem precisava prender a respiração quando você passa, porque eu não vou vomitar assim um sentimento, como se fosse arroz e feijão indigestos.
Aprendi, então, a segurá-lo. Não com as mãos. E fui segurando, segurando até ele soltar sozinho, que nem cabelo liso em borrachinha, sabe?! É, cabelo liso não fica em borrachinha nenhuma, é realmente um saco. E é até melhor assim, pro cabelo e pra mim. Sufocar não é legal mesmo, nem pra mim, nem pro cabelo, nem pra ninguém.
Nesse cavalgar de sentimentos ambíguos, eu já achei que não te amasse mais, e retomei meu des-serviço de seguir adiante. Olha, não dá certo, pode anotar aí. Não sei se você já amou alguém, mas quando for amar, não tenta seguir adiante sem resolver tudo direitinho, porque a paralisia é certa.

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