segunda-feira, 27 de abril de 2015

zero zero

Já são meia noite. Ainda tusso um pouco, ainda sinto dificuldade para respirar. Dessa vez, a sinusite deixou um lastro de insensatez. Me sinto meio roteiro só que sem Hollywood, nenhum glamour. Acabo de assistir a um filme de pouco sentido externo e de um imenso sentido interno. Me sinto mais do que em meio a um roteiro, me sinto profundamente espelhada nesse filme. Nem sei o que diria a alguém que me perguntasse neste momento o que sinto. Eu me sinto um pouco zonza e até mesmo insensível com o resto do mundo. Mas somente neste momento.
Naturalmente, eu ajo sendo alegre com os outros, me esforço para ser alguém agradável, que de pesado já basta o cotidiano da gente mesmo. Lembrei agora de algo que não poderia ter esquecido durante o fim de semana. Já não adianta, esqueci. Troco o dia pela noite, às vezes. E às vezes me faz bem. Me traz a sensação de vida que tem me faltado. A automação de um dia atrás do outro acordando às cinco da manhã deixa um largo rastro de angústia e de um aprisionamento da alma constante.
Hoje mesmo devo varar a madrugada, nem ao menos sinto sono. E já são meia noite e cinco. A exatidão das coisas me assusta. Pode ser que não seja exatamente assim ou que seja completamente o contrário disso tudo, e qual o problema? Eu sempre me perguntei, mas poucas respostas me convenceram. Eu tenho de ser. Isso que importa. Senão, ando à esmo, me perdi, não sei onde quero chegar. Mas sei, só não digo.
Eu tenho medo, sofro de medo. E o medo corrói, vai corroendo as entrelinhas até consumir um verso inteiro, o poema tratado por cento e quarenta e sete estrofes, não importa. O medo não tem medo. Corrói mesmo, sem dó. Toda a poesia, toda a desventura, tudo o que estiver por vir.
Eu tenho medo e dele sofro, sim, mas só um pouco. Temo do medo o corroer e, por isso, meço o medo, o tempo todo. Que medo bom é medo morto, eu sei, só me falta encontrar o modo.
Voltei para dizer que agora chove. Isso deixa tudo mais difícil.

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