segunda-feira, 17 de agosto de 2015

s de destino.

Nunca fui muito de acreditar nessas balelas de caminhos a seguir, mas me parece plausível, agora, talvez crer em destinos. Assim mesmo: no plural. Gostar de possibilidades, também num plural vasto, quase sempre foi meu forte. Tento, de vez em quando, não assolar as entranhas com expectativas, mas, de nada adianta!, elas já crescem e se espalham quase como metástase, como um câncer latente. E o latejo é intenso, quase que até sufoco muitas coisas que estão prestes a sair, mas, simplesmente: não saem. Aliás, meus engasgos não costumam ser expelidos, eles vivem ruminados dentro de algo entre o estômago e o esôfago, ou o intestino e o fígado, sei lá, nunca saquei muito de anatomia mesmo. O importante é que todos os engasgos - ou quase todos - ficam aqui, permanecendo, até que eu os digira. E, até chegar a essa etapa, eita que sofrimento. Falta fôlego e até ânimo, mas quando resolvo, pronto!, tudo fica resolvido a ficar como está mesmo - que é apenas dissecando os caminhos que se encontra outros caminhos. Não sei quem inventou - se é que inventaram, porque possível ser coisa da minha cabeça. Dizia: não sei quem inventou isso de que ruminar parece algo ruim, nefasto, nojento. Aliás, tudo quanto nos animaliza parece tão negativo e nem nunca compreendi por que - mas sinceramente nem quero. A ruminação deveria ser até considerada um tratamento, nada melhor do que ruminar sentimentos até esgotá-los e, plim!, o próximo, por favor. Eu vou ruminando a vida inteira até que, por fim, possa chegar ao ponto de partida. Partida porque eu nem sequer saí do lugar, da linha de largada. Mal consigo avistar a reta inicial do percurso, quem dirá a fita da chegada.
Mas eu falava mesmo era de destinos, esse mesmo no plural. E talvez a vida seja essa eterna linha de largada com uma infinitude de caminhos a percorrer pela frente. Uma maratona só que em labirinto. E, de todos os possíveis caminhos do labirinto, qual foi a minha de escolher logo o seu?

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