sábado, 14 de janeiro de 2017

Daquela tarde de sol, de chuva e de muitas horas para passar.

Quando entrei no seu quarto, pude logo avistar o violão e um tanto de discos ao pé da cama. Bem a sua cara mesmo ter isso tudo amontoado e nem sequer uma mesa de cabeceira para eu poder pousar meus óculos antes de dormir. Talvez, eu deveria ter entendido esse sinal desde o primeiro instante, mas não, resolvi me sentir à vontade e achar que era para ser assim. Fui ficando e ficando e quando vi já havia cedido a sua cama - segundo sua percepção: uma estratégia; para mim: apenas cansaço e costume de me encostar. O importante mesmo é que fui cedendo ao passo que entardecia e até escurecia.

Aí, enquanto nem percebia, já havia ficado e havia amigos e social e cervejas e a gente na cozinha tocando umas músicas boas mas que naquele tom soava um tanto brega e um tanto apaixonado - por Los Hermanos, no caso. A ideia era só uma tarde com um ou dois, no máximo, shows legais. E tudo se estendeu tanto que eu usei até uma escova de dentes nova que você tinha no armário porque eu nem tinha nada além de dinheiro e documento e celular dentro de uma bolsa minúscula que acompanhava meu short jeans e minha blusa branca, que acabou ficando selada por aquela foto que você fez ainda no primeiro show e que, desde então, eu não consigo desassociar de você, daquele dia e daquele amontoado de sorrisos.

Eu contando assim, meio esbaforida, meio relato e meio dedo na cara, parece ter sido algo negativo, ruim, que eu esteja cuspindo ou até vomitando - mas não. Lembro de sensações incríveis e até da letra daquela sua música bastante esquisita mas também bastante agradável, que aliás é outra coisa que selou a tarde e que, até hoje, quando escuto aqui no meu notebook - sim, eu tenho o áudio no meu notebook e nem me lembro o porquê, mas provavelmente porque eu lhe pedi em algum momento como lembrança fixa. Enfim, até hoje quando escuto pelo notebook ainda tiro, mentalmente, fotos do impossível que fomos.

Mas fomos, aos trancos e barrancos, ok - nós fomos.

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