sábado, 10 de setembro de 2011

Sobre a tristeza.

- Pareço triste, mas não sei se assim me defino.
- O que seria parecer triste? Tenho minhas dúvidas.
- Duvidoso é ser triste num mundo cheio de opções.
- Mas ser triste também não seria uma opção?
- É, são perspectivas. Prefiro pensar que ser triste não é opcional, é fatalidade.
- Não estou certo disso, tristeza seria, então, um fado?
- Fado, fado. Não sei dizer. Talvez uma consequência involuntária de fatos voluntários.
- Então, continuo vendo como uma escolha. Se você manipula os fatos, nenhuma consequência é involuntária.
- Ou não. Não tenho controle sobre todos os fatos, ninguém tem.
- Ninguém é muito abrangente, generalizações são sempre perigosas.
- O sempre também é perigoso. Mas ainda sobre a tristeza: creio que seja algo mais que não conseguimos...
- Não conseguimos o quê? Alcançar?
- Alcançar, sim. Mas não no sentido de reter o sentido básico, o que nos falta é tocar o mais profundo.
- O mais profundo da tristeza... Talvez seja a lágrima.
- Equívoco seu. A lágrima é como uma dama ludibriante.
- Explique-se!
- A lágrima pode ser alegre ou triste, dependendo do que for mais proveitoso para ela.
- Realmente, lágrima não é sinônimo de tristeza. Assim como o riso não é sinônimo de alegria.
- Justo, o riso é uma forma de externar um sentimento, podendo ser a própria tristeza.
- Incômodo.
- O quê?
- Não sabermos definir a tristeza. Ela, insensata, toma-nos sem maiores explicações.
- Talvez aí esteja sua magia.
- E há magia na tristeza?
- Certo que sim, só precisamos observá-la mais antes de negá-la ou reclamá-la.
- Observá-la? Puff.
- Falo sério. Pode haver muito encanto em uma tristeza.
- Não creio.
- Triste.

Um comentário:

Thay Cosbet disse...

Aaaai, que lindo, como eu gostei!
Fiquei com vontade de entrar nesse diálogo e falar coisas também.
E de fato, nada como uma bela tristeza.

Outro beijo