domingo, 6 de novembro de 2011

Sobre o quê da felicidade.

Desde muito nova tento entender o que seria, o que é de fato a felicidade. Difícil, em todo esse tempo, foi me esquivar de clichês tão baratos quanto a felicidade de quem os ditava. Há quem diga que felicidade é um momento, permaneço crendo que não seja, momentos são efêmeros e ninguém vai querer concordar que a felicidade é efêmera. Ou vai?
Também já ouvi que a felicidade está no mais simples de tudo, coisa que também discordo. Nem sempre a felicidade vai estar no mais simples, nem todos almejam o mais simples. Felicidade é, sim, uma questão de satisfação, assim como é uma questão de plenitude.
Por todos esses anos, mais do que em busca da felicidade (puff!), estive em uma busca infame para entender o que ela é/era. Sempre tive claro para mim que só posso querer algo que compreendo, senão eu não o quero verdadeiramente.
Talvez, a conclusão mais sensata dessa longa e cansativa jornada é dizer que não há felicidade, em nada e em ninguém. A felicidade se tornou um substantivo platônico que não cabe em mais nenhuma definição, é o fim. Risquemos esta palavra de nossos dicionários para que nos libertemos, enfim, do que mais nos assola diariamente: ser feliz.
Sejamos o que formos porque precisamos e queremos ser, só. É isso, a felicidade se tornou um essencial portátil, desses que se perdem por tão pequenos, que se escondem por entre o amontoado de roupas em cima da cama, desses que acabam a bateria e nos deixam simplesmente histéricos até que voltem a funcionar. Tornamo-nos dependentes de algo abstrato que deveria servir como norte e não como objetivo final de toda uma existência maior.
Sejamos, então, um nó. Um misto de afeto, sentimento. Dediquemo-nos ao nos doar, para além do que há por dentro e do que há entre. O 'entre' é pouco, é necessário ocupar mais espaço. Aumentar o entrelaço, os abraços, os caminhos percorridos.
Só percebemos o que nos falta quando precisamos, isso não é feio e nem vergonhoso. O 'a mais' nada mais vira do que acessório, tentemos não deixar sobrar. E eis que chegaremos, assim, ao que mais nos apetece: a felicidade nos satisfaz?

Um comentário:

Fernanda Campos disse...

é lindo!!
justamente o que eu precisava ler hoje :)

sejamos um nó, então!

Obrigada por seus textos e sentimentos lindos!