domingo, 17 de janeiro de 2010

solidade

Porque toda essa beleza que te veste,
vem de meu coração que é teu espelho.
Meu bem é bem melhor que tudo posto.

Tudo pode parecer demais quando se está longe: a vida é demais, os momentos juntos são demais e, por fim, a saudade é demais. Saudade deveria ser proibido para pessoas de coração bom, deveria ser um tipo de castigo para os criminosos, ao invés da pena de morte em cadeira elétrica ou injeção letal, daríamos a eles uma dose mortal de saudade. Só assim eu conseguiria me sentir à vontade com a saudade.
Como não reconhecer que a saudade pode estragar muitas paixões, muitas amizades e muitas vidas, afinal. Há os que dizem que nem distância estraga, nem saudade afasta, mas todos esses bordões não passam de uma forma frustrada de se mascarar a real vontade de estar perto, de dizer que quer estar sempre ao lado, todos os dias.
Quantas músicas falam desse sentimento tão inexplicável, tão imobilizador e tão motivador das ações mais belas nessa vida. Nossa língua, de forma peculiar, nos coloca em uma posição totalmente incômoda que é a de tentar definir o que estamos sentindo quando dizemos estar com essa tal da saudade, quais seriam seus sintomas. Um 'I miss you' não passa nem perto do que a palavra 'saudade' transmite quando dita para alguém tão especial.
Saudade só é abstrata realmente para a gramática, porque sentimos muito bem quando ela nos toma, dói muito, no coração, na cabeça, nos deixa fraco. Não é assim? Não pode ser que isso só aconteça comigo. Queria expressar essa saudade agora, nesse exato momento, a mais ou menos umas 200 pessoas espalhadas por todo o Brasil e por fora dele também, além de outras que nem estão mais por aqui. Engraçado é que saudade não escolhe em quem pegar ou quando chegar, é bem como gripe, que não há temporada, não há dia ou hora, mas quando você vê já não aguenta nem mais um minuto em pé.
Saudade evidencia solidão, às vezes. E solidão, sim, nunca é bom. Falta de abraço, de carinho, de amor deve ser muito ruim mesmo. Digo 'deve ser' porque realmente não sei como é, e só posso agradecer a todos que me querem bem por isso.
De fato, saudade só é boa quando sanada, como fome. E Clarice Lispector já nos dizia mesmo que saudade é como fome. E fome não se sacia com tiragostos, saudade só se mata mesmo com um belo jantar à luz de velas: intenso, longo e desmedido.

Você me faz parecer menos só,
menos sozinho...

2 comentários:

Vítor C. disse...

a saudade é um trem de metrô
subterrâneo
obscuro
escuro
claro
é um trem de metrô

Elliott disse...

... a saudade é prego e parafuso
quanto mais aperta
tanto mais dificil
arranjar.